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27/03/2007

Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac

Por L&PM Editores

Dando prosseguimento à publicação de A comédia humana,a monumental obra de Honoré de Balzac (1799-1850), a L&PM está colocando nas livrarias dois volumes fundamentais para a compreensão deste enorme painel literário do século XIX: Ilusões perdidas e Esplendores e misérias das cortesãs. Estes romances, juntamente com O pai Goriot (v. 541 da Coleção L&PM POCKET), formam uma trilogia informal, que pode ser considerada a espinha dorsal da obra balzaquiana, um dos grandes clássicos da literatura universal.

A comédia humana – título geral que dá unidade aos 89 romances, novelas e contos que compõem uma verdadeira história da vida privada da sociedade francesa da época – foi ordenada pelo autor em três partes: “Estudos de costumes”, “Estudos analíticos” e “Estudos filosóficos”. A maior delas, “Estudos de costumes”, com 66 títulos, subdivide-se em seis séries temáticas: Cenas da vida privada, Cenas da vida provinciana, Cenas da vida parisiense, Cenas da vida política, Cenas da vida militar e Cenas da vida rural. Ilusões perdidas e Esplendores... situam-se, respectivamente, nas Cenas da vida provinciana e nas Cenas da vida parisiense.

Escrito entre 1835 e 1843, Ilusões perdidas é talvez o mais famoso de todos os romances de Balzac. Lucien de Rubempré, o protagonista, quer se tornar poeta e vai a Paris em busca da fortuna, da fama e da glória. Porém, essa longa caminhada não será fácil, já que Paris não costuma perdoar belos garotos do interior que acham que podem conquistar a grande metrópole simplesmente pelo talento e pela amizade de uma condessa. O romanceé o retrato duro e magnífico de uma sociedade que engole os fracos, atropela os ingênuos e destrói os sonhos dos idealistas. Em Ilusões perdidas, Balzac externa toda sua ira contra a imprensa, que ele aponta como um ninho de corrupção e politicagem, e ataca os estereótipos dos “novos ricos”, que faziam de tudo para agregar um título de nobreza ao nome.

Seguindo o procedimento iniciado em O pai Goriot de retorno dos personagens nos romances seguintes – ora como protagonistas, ora como coadjuvantes –, esta, que é a obra mais extensa de Balzac, traz de volta personagens como Eugène de Rastignac e o medonho Vautrin, que estréia na Comédia humana em O pai Goriot e que logo adiante será o grande protagonista de Esplendores e misérias das cortesãs.

Escrito entre 1838 e 1847, mas só publicado em sua forma definitiva em 1869, quase vinte anos depois da morte de Balzac, Esplendores...– que dá continuidade à trama de Ilusões perdidas – havia sido anteriormente lançado em folhetim nos jornais parisienses. Neste romance há crítica de costumes, tór­ridos casos amorosos e um mergulho magnífico no mundo do crime, das prisões e dos procedimentos da justiça francesa da primeira metade do século XIX, que caracteriza o romance como um precursor do gênero noir. O protagonista é Jacques Collin, uma das grandes criações balzaquianas. Ele, que já havia aparecido em O pai Goriot e em Ilusões perdidas, ressurge neste romance, com todo seu cinismo.

A sensualidade é uma característica que permeia o enredo de ambos e está bem representada por belas marquesas, duquesas e baronesas. Balzac soube como ninguém descrever com precisão e fascínio a alma feminina e é justamente a galeria de personagens femininas que domina o grande projeto de A comédia humana.


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