em 


Opções Avançadas
 

Livros do Autor



BILLY THE KID

Pat Garrett
Tradução de Rosaura Eichenberg

Coleção L&PM Pocket
Ref. 132
258 páginas
ISBN 85.254.0852-2
Também em e-book

R$ 19,90

Pat Garrett

Pat Garret, o homem que matou Billy the kid

(...) Era a noite de 14 de junho de 1881. O homem alto e forte, Patrick Floyd Garrett, trinta e um anos, xerife do condado de Lincoln, Novo México, finalmente iria encontrar e matar seu antigo companheiro de aventuras e noitadas: William H. Bonney, vinte e um anos, conhecido como Billy the Kid – o mais temido e sanguinário desperado do Sudoeste dos Estados Unidos, cuja cabeça estava a prêmio há mais de dois anos.

Pat Garrett e Billy the Kid conheceram-se em 1878 nas ruas poeirentas e saloons mexicanos de Fort Sumner, o entreposto militar construído às pressas, em 1862, para assegurar a remoção dos Navajo de suas terras, em Bosque Redondo, quase na fronteira entre o Novo México e o Texas. Ambos eram bons atiradores, bons bebedores e constantes jogadores de pôquer e de monte. Ambos gostavam de emoções fortes, noites sob as estrelas, mulheres, caçadas e tiroteios. A amizade parece ter sido instantânea.

Billy aparecera em Fort Sumner em 1877, deixan­do atrás de si um passado nebuloso. Garrett, nascido a 5 de junho de 1850 no Alabama, chegou logo a seguir, mas era homem bem conhecido e que em breve se tornaria amigo dos principais pecuaristas do con­dado de Lincoln. Criado em Louisiana, arranjara seu primeiro emprego em 1869, como peão em Lancaster, condado de Dallas, no centro do Texas. Lá, trabalhou para um criador de gado cujo rebanho marcado se espalhava até Red River, por umas boas cem milhas, quase até a fronteira com Oklahoma, no Norte. Seis anos depois, já estava adestrado nas artes de cavalgar, laçar, atirar e matar.

De 1875 a 1877, Garrett tornou-se caçador de bú­falos nas cercanias do antigo Fort Grifftin e nas pla­nícies do sul do Texas. É provável que nesta mes­ma época tenha participado também de uma das expedições punitivas contra os comanches, que então atacavam amargamente revoltados com a matan­ça de búfalos em seu território de caça de inverno.

Nos primeiros meses de 1878, Pat chegou ao vale do Pecos, onde trabalhou em vários ranchos como arre­banhador de cavalos e vaqueiro. Deve ter conhecido the Kid quase de imediato, principalmente se, de fato, houver trabalhado também como bar­ten­der no saloon de Beaver Smith, em Fort Sumner, como querem alguns pesquisadores. De qualquer modo, Garrett garante ter escutado “em narrativas desconexas” muito sobre os primeiros (e, depois, mi­tológicos) anos de vida de Billy, relembra­dos pelo próprio, “ao pé das fogueiras, nas trilhas, nos campos e em muitas plazas diferentes”, durante as inú­me­ras andanças destes dois homens pelas vastidões ári­das do Novo México.

Em janeiro de 1880, porém, Pat casou-se com Po­linaria Gutierrez e no outono do mesmo ano foi eleito xerife do condado de Lincoln, numa chapa o­posicionista apoiada por John Chisum, conhecido como o “Rei do Gado do Novo México”, por George Curry, que mais tarde seria governador, e por outros líderes locais. Contava também com a simpatia de muitos hispano-ameri­canos, já que mantinha boa relação com o povo de sua mu­lher. A primeira missão que lhe caiu sobre os ombros era pesada: capturar Billy the Kid.

Os barões do gado e um pequeno ladrão

A região ainda sofria o impacto da “Guerra do Ga­do do condado de Lincoln”, que estourara em 1877, coincidindo com a chegada de the Kid, e que deixaria inúmeros mortos, saques incontáveis, assas­sinatos co­vardes, linchamentos e massacres, concen­trando poder político nas mãos de conservadores. Pat Garrett e Billy the Kid foram apenas peões no san­grento tabu­leiro deste confronto entre capitalistas proeminentes.

A famigerada Lincoln County Cattle War envol­via, de um lado, o grupo de John Chisum, dono de um rebanho com quase cem mil cabeças que ocupava as terras usurpadas aos Navajo, em Bosque Re­dondo.

Quando esse rebanho imenso movia-se para o Sul, pelo vale do Pecos, levava de roldão rebanhos meno­res, absorvendo-os sem que seus proprietários tivessem muitas chances de reavê-los. Do lado de Chi­sum estavam John Tunstall, um imigrante inglês de vinte e quatro anos, e o advogado Alexander McSween, fundadores do Lincoln County Bank e ambos figuras destacadas no quadro econômico local.

Seus ferrenhos adversários políticos eram dois irlandeses, J.J. Dolan e John Riley, donos do armazém atacadista The House, que praticamente monopolizavam o comércio de Lincoln e que ainda obtinham grandes vantagens financeiras graças ao contrato que os transformara em fornecedores exclusivos de carne para o Exército e para as reser­vas indígenas. Dolan e Riley, e outros ex-oficiais do Exército, faziam parte do chamado “Grupo de Santa Fé”. A eles uniram-se muitos dos pequenos fazendeiros da região, indignados com a pre­­po­tência de Chisum, cujo rebanho ocupava boa parte das terras públicas da região.

O conflito começou a germinar no verão de 1876 e estourou na primavera de 77. Billy, então com dezes­sete anos, mas já um excelente atirador, fora con­tratado como guarda dos rebanhos da facção Riley Dolan. No outono de 1877, porém, mudou surpreendentemente de lado, assinando contrato com John H. Tunstall, com quem parece ter simpatizado ao primeiro encontro. Muitos de seus antigos companheiros de bando juraram vingança, que não se cumpriria.

Foi logo depois de the Kid trocar de lado que a guerra estourou de fato. Tunstall, Chisum e McSween não viam razão pela qual comerciantes “almofadinhas” como Dolan e Riley – praticamente sem experiência alguma na criação de gado –, pudessem obter todos os benefícios da comercializa­ção de carne para o E­xército, sem que eles – fazendeiros tradicionais – abocanhassem sua parte. Quan­do Tunstall abriu um bazar atacadista em Lincoln, para fazer concorrência a The House, a tensão tornou-se insustentável. E o jovem patrão de the Kid seria morto logo a seguir.

Os historiadores da Guerra do Gado não du­vidam que foi o brutal assassinato de Tunstall a princi­­pal causa para a eclosão do conflito. Fato ou não, a ver­dade é que foi justamente depois deste crime que Billy enveredaria em definitivo pela “carreira do mal”. Poucos meses se passariam antes que ele matasse pelo menos um dos assassinos de seu patrão.

Os ex-delegados William Morton e Frank Ba­ker, acusados do crime, haviam sido aprisionados pelo grupo de the Kid junto ao rio Peñasco, um tribu­tário do Pecos. Eles estavam sendo conduzidos a Lin­coln sob o juramento do chefe de seus captores, Wi­lliam Brewer, de que receberiam um julgamento honesto na cidade. Para the Kid, porém, a lei sempre fora demasiado lenta: Morton e Baker, que estavam desarmados, e um terceiro personagem, que apa­rentemente se opusera ao assassinato, foram mortos nos arredores de Lincoln. Até hoje não se sabe ao certo quantos, ou quem, the Kid matou. Mas pelo menos um deles – Morton ou Baker – caiu a um tiro seu.

O homem que matou the Kid

Nos meses seguintes, os assassinatos prosse­guiriam, a ponto de “não causarem mais horror ou es­pan­to”. Mas quando Alex McSween, o advogado, também foi morto – no único episódio público do conflito e do qual, evidentemente, the Kid participou –, a guerra diminuiu muito em intensidade. Billy the Kid – que a esta altura já havia matado também o xerife de Lincoln, William Brady – voltaria então a ser o que, segundo um contemporâneo, sempre fora, “apenas um pe­queno e mirrado ladrão de cavalos e de gado”.

Mas um pequeno ladrão com a cabeça a prêmio por um bom dinheiro: o governador do Novo Mé­xico, Lew Wallace – autor de um clássico da literatura, norte-americana, Ben-Hur –, depois de ter anistiado prati­camente todos os envolvidos na Guerra do Gado, ofere­ceu um prêmio de quinhentos dólares pela captura de the Kid. Mas o povo de Lincoln – indignado com as mortes de Morton, Baker, Brady e, mais tarde, o assas­sinato covarde de Jimmy Carlyle – triplicou a oferta. E é então que Pat Garrett, mesmo tendo sido eleito pelo grupo de Chisum, ao qual the Kid estivera ligado, entra em cena para acabar com a carreira do ladrão “peque­no e mirrado”, com um providencial tiro na penumbra.

Depois de matar “o mais temido e sanguinário des­perado do Sudoeste”, Garrett, além de em­bolsar os 1.500 dólares de recompensa, tornou-se também um homem nacionalmente famoso. Cumpriu mais três anos de mandato e, a seguir, foi ser rancheiro em Fort Stanton. Em 1884 já havia juntado uma quantidade razoável de gado. O fascínio da estrela de xerife, entretanto, era forte demais e Pat logo se viu como capitão dos Texas Rangers, em Pan Handle. Mais que o Estado do Texas, eram os grandes criadores que pagavam esse corpo de guarda, que tinha a missão de acabar com o roubo de gado e de cavalos na região. Segundo algumas fontes, Garrett matou pelo menos sete homens nos quatro anos em que vasculhou o árido Llano Estacado, nos arredores de Pan Handle, Texas.

Em 1889, ele voltou ao Novo México e can­di­da­tou-se a xerife do condado Chaves, vizinho de Lincoln, mas foi derrotado por um candidato apoia­do por seu antigo delegado John Poe, agora um banqueiro bem-su­­cedido. Garrett ficou magoado com a derrota e, acompanhado de seu fiel amigo Ash Upson, mudou-se para Uvalde, sul do Texas, onde adquiriu um rancho de cavalos e tornou-se delegado da cidade. Em 1898, retornou ao Novo México e colocou no peito a estrela de xerife do condado de Doña Ana.

Em 1901, o presidente Theodore Roosevelt nomeou Pat cobrador de impostos em El Paso, fronteira com o México. Esse cargo foi o ponto alto da carreira pública do matador de Billy the Kid. Garrett exerceu a função durante quatro anos, mas lhe recusaram uma nova nomeação porque ele havia apresentado ao presidente um amigo seu, Tom Powers, dono de um saloon em El Paso, como um dos maio­res criadores de gado do Texas. Isso aconteceu em 1905, na reunião dos Cavaleiros de Regimento, em San Antonio, ocasião em que Pat era um convidado especial do presidente. Os adeptos da oposição em El Paso, que censuravam o seu envolvimento cada vez maior com o pôquer e as corridas de cavalo, usaram o incidente Powers para desacreditá-lo junto a Roosevelt.

Quando lhe recusaram a nova nomeação, Garrett, então com cinqüenta e cinco anos, retirou-se para sua casa, no vale Mesilla, às margens do rio Grande, e começou a formar um rancho de cavalos na região próxima às montanhas Organ. Não foi um empreendimento bem-sucedido e nos últimos anos de vida o velho xerife teve problemas financeiros. Tornou-se brigão e freqüentador dos piores saloons. Os sujeitos com quem jogava pôquer temiam-no nos seus períodos de mau humor.

No dia 29 de fevereiro de 1908, dezenove anos depois de matar the Kid, Pat Garrett foi morto quando ia de seu rancho, nas montanhas Organ, para Las Cruces. Pat começou a viagem numa diligência aberta, conduzida por Carl Adamson. Wayne Brazil, arrendatário de Garrett no rancho, confessou que desferiu o tiro que matou o ex-xerife, mas alegou legítima defesa. O júri, apesar da evidência de que Pat recebera o tiro na parte de trás da cabeça e de que morrera com uma luva na mão com a qual deveria puxar o gatilho, declarou Brazil “inocente”.

Para J. C. Dykes, autor de Billy the Kid The Bibliography of a Legend (Albuquerque, 1952) e também de uma das mais famosas introduções ao livro de Garrett, Pat “foi morto por Adamson, que usou o revólver de Brazil”.

“Quando Pat saiu da charrete para urinar, colocou-se atrás do carro, de costas para Adamson, que se virou no assento e acertou-o na parte de trás da cabeça, atirando de apenas um metro e meio de distância. Deu o segundo tiro depois que Pat já estava no chão, morto ou morrendo, para assegurar-se de que encontrariam uma bala que identificasse o revólver usado. Adamson e Brazil haviam trocado de arma antes de sair do rancho e, depois do assassinato, voltaram a fazê-lo. Brazil então foi a cavalo até a cidade e “confessou” o assassinato. ‘Pat o tinha ameaçado na presença de testemunhas e ele podia alegar legítima defesa’, diz Dykes, citando o historiador e romancista Hoffman Birney, que pesquisou profundamente o assunto. Segundo Dykes, “Brazil recebeu 1.500 dólares para assumir a culpa. Adamson ficou livre de sus­peitas, por causa da rendição e confissão do companheiro”.

O Robin Hood do Colt 44

E, assim, o corpo de Pat Garrett – o matador de búfalos e comanches, antigo xerife dos condados de Lincoln e Doña Ana, ex-capitão dos Texas Rangers, rancheiro, criador de cavalos, mão aberta e ilustre justiceiro de Billy the Kid – permaneceu por mais de dez horas estendido sobre o leito poeirento da estrada de Las Cruces, nas cercanias do lamacento rio Grande. Foi enterrado sem pompa em El Paso.

Antes de cair em desgraça com a administração federal e tornar-se um joga­dor compulsivo, beberrão e mal-humorado, Pat Garrett gozara alguns momentos de glória. Nenhum, porém, fora maior do que o almoço em San Antonio no qual, a pe­dido do próprio Roosevelt, contara ao presidente como ma­tou the Kid. Na ocasião, praticamente repetiu o que escrevera no seu The Authentic Life of Billy the Kid, que havia sido publicado vinte e três anos antes, em 1882. Mais do que o tiro, fora o próprio livro que tornara Pat uma celebridade. Poucos sabiam, entretanto, que ele não era o autor – ou pelo menos não o único autor – deste que é um dos mais famosos e citados relatos sobre a vida na fronteira.

Na introdução, Garrett declara que seu principal propósito ao escrever o livro fora “corrigir as milhares de falsas informações que apareceram nos jornais e romances baratos”. Suas insistentes afirmações de que se tratava de um levantamento minucioso e verídico, somadas ao seu status oficial como xerife do condado na época em que foi publica­do, fizeram com que o livro fosse aceito pela maioria como um relato factual da vida errante e crimes inúmeros de the Kid. Os fatos, porém, são um pouco diferentes.

Desde a noite em que Billy foi morto até abril de 1882, quando A Verdadeira Vida de Billy the Kid surgiu pela primeira vez, nada menos do que oito “romances baratos de capa amarela” haviam sido lançados nos Estados Unidos. Juntos, venderam mais de um milhão de exemplares. Todos exageravam largamente as façanhas e o número de vítimas de the Kid, transformando o garoto numa das legendas mais difundidas da vida violenta da fronteira norte-americana. Nenhum livro, porém, foi mais importante na fabricação do mito de Billy the Kid.

Para escrever A verdadeira vida de Billy the Kid, Garret teve a ajuda substancial do jornalista Ash Upson. Ele nasceu no mesmo dia em que the Kid, 23 de novembro, porém em 1828 e em Connecticut. Quando chegou ao Novo México, durante a Guerra Civil norte-americana, já havia trabalhado como repórter para o Herald de Nova York e, depois que se mudou para o Novo México, publicou artigos em jornais e revistas importantes de todo o Sudoeste. Foi agente do correio em Roswell, Texas, e também juiz de paz no leste do condado de Lincoln. Transformou-se num dos mais famosos jornalistas do Novo México no seu tempo.

Na época em que “colaborou” com Pat Garrett neste livro, trabalhava para o próprio xerife. Alguns pesquisadores afirmam que Garrett era virtualmente analfabeto e que teve que empregar Upson como escrivão para cuidar dos registros da delegacia. Como no Novo México o xerife era também cobrador de impos­tos, a maior parte das autoridades policiais contrata­va um delegado qualificado para o trabalho de escriturário. Garrett e Upson tornaram-se amigos íntimos, e essa amizade durou até a morte de Upson em Uvalde, Texas, em 1894. (...)

(...)Mas mesmo tenham se passado décadas de desmisti­ficação em torno da lenda de Billy the Kid, esse “Robin Hood do Sudoeste que outrora foi apenas um pequeno vaqueiro dentuço, ladrão e assassino, que enveredou pelo mal”, continua inspirando gênios, como Jorge Luis Borges, poetas como Bob Dylan e grandes cineastas, como Sam Peckimpah e Arthur Penn, que contaram, cada um a seu modo, a história deste criminoso célebre, mas vulgar.

Trecho do texto de Eduardo Bueno. Em Billy the Kid, história de um bandido (L&PM POCKET, v. 132)

Opinião do Leitor

"É interessante como muita gente chama de bandido, aos que são usados por mentes astuciosas. Por trás de tais pessoas às vezes inocentes, mas com uma certa habilidade, estão sempre os verdadeiros criminosos. Pela história, dar pra perceber que o "bandido" simplesmente foi usado. E hoje continua sendo assim. Não é preciso ir muito à fundo para sabermos desta realidade."

Cauby Aguiar
Russas/Ceará

"boa  narrativa.é  estranho  como  personalidades  ruins  como  a  de  diversos   bandidos  sempre  nos  causam   curiosidade  e  interesse."

ivan
bsb   df

voltar ir para o topo   imprimir
 

Home    Quem Somos    Sala de Imprensa    Agenda    Entrevistas    Mapa do Site    Fale Conosco

Rua Comendador Coruja, 314 - Fone: (51) 3225.5777 - Fax: (51) 3221.5380 - Porto Alegre/RS - CEP 90220-180
Rua Barra do Tibaji, 354 - Fone: (11) 3578.6606 - São Paulo/SP – CEP 01128-000

Powered by CIS Manager   Desenvolvido por Construtiva