Coleção L&PM Pocket


FRUFRU RATAPLÃ DOLORES

R$19,90

Frufru Rataplã Dolores é o novo livro de Dalton Trevisan, que reúne ideias e excertos de contos publicados em outros livros seus. Reconhecido como um dos maiores contistas vivos da literatura brasileira, Trevisan compõe personagens e histórias intrigantes com seu estilo inconfundível, que alia linguagem popular e erudita.

Neste livro, estão os contos "Frufru Rataplã Dolores", "João é uma lésbica", A última ceia", "Noventa cigarros por dia", "Feliz Natal", "Doce mistério da morte", "O quinto cavaleiro do apocalipse", "A velha querida", "O menino do Natal", "O carniço barbudo" e "O anão e a ninfeta".

Óculo embaçado, bigode trêmulo, bem rouco:
– Eu quero você. Daqui não sai.
– Abra já essa porta. Se sou cadela, serei a mais escandalosa das cadelas. Abra ou se arrepende.
– Fale mais baixo.
– Se eu deito nesta cama você nunca mais se levanta.
– ...
– Te deixo aí castrado e mortinho.
– Não grite. Por favor.

Derrotado, baixou os braços, afastou-se da porta.

Ela ajeitou a bolsa no ombro. E agarrou a sombrinha amarela. Para ver o que tinha perdido, a blusa meio aberta, sem sutiã. Ali o negro Jesus crucificado de delícias entre os dois biquinhos róseos.

– Desculpe, querida. Meu naco de pão. Fique. Meu copo de vinho. Só um pouco. Minha última ceia.
– Passe bem, doutor.

E saiu, loira de raios fúlgidos, vestido vermelho, espirrando fogo da botinha dourada.
Fim do corredor, olhou para trás: lá estava, a mão na parede, cabeça baixa. Muito longe para saber se chorava.

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Informações Gerais

  • Título:

    FRUFRU RATAPLÃ DOLORES

  • Catálogo:
    Coleção L&PM Pocket
  • Gênero:
    Contos
    Novela
  • Referência:
    1062
  • Cód.Barras:
    9788525426987
  • ISBN:
    978-85-254-2698-7
  • Páginas:
    128
  • Edição:
    julho de 2012

Vida & Obra

Dalton Trevisan

Nasceu na cidade de Curitiba, em 14 de junho de 1925. Formou-se na Faculdade de Direito do Paraná e liderou o grupo literário que publicou, entre 1946 e 1948, a revista Joaquim. A publicação, que circulou até dezembro de 1948, continha o material de seus primeiros livros de ficção, incluindo Sonata ao luar (1945) e Sete anos de pastor (1948). Em 1954, publicou o Guia Histórico de Curitiba, Crônicas da Província de Curitiba, O dia de Marcos...

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Óculo embaçado, bigode trêmulo, bem rouco:
– Eu quero você. Daqui não sai.
– Abra já essa porta. Se sou cadela, serei a mais escandalosa das cadelas. Abra ou se arrepende.
– Fale mais baixo.
– Se eu deito nesta cama você nunca mais se levanta.
– ...
– Te deixo aí castrado e mortinho.
– Não grite. Por favor.

Derrotado, baixou os braços, afastou-se da porta.

Ela ajeitou a bolsa no ombro. E agarrou a sombrinha amarela. Para ver o que tinha perdido, a blusa meio aberta, sem sutiã. Ali o negro Jesus crucificado de delícias entre os dois biquinhos róseos.

– Desculpe, querida. Meu naco de pão. Fique. Meu copo de vinho. Só um pouco. Minha última ceia.
– Passe bem, doutor.

E saiu, loira de raios fúlgidos, vestido vermelho, espirrando fogo da botinha dourada.
Fim do corredor, olhou para trás: lá estava, a mão na parede, cabeça baixa. Muito longe para saber se chorava.

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