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06/07/2010

Em entrevista ao jornal Zero Hora, Eduardo Galeano fala sobre Copa do Mundo

Por L&PM Editores

A edição dessa terça-feira do jornal Zero Hora traz uma longa entrevista sobre Uruguai e Copa do Mundo com o escritor uruguaio Eduardo Galeano. Leia um trecho:

"Galeano ama o futebol como parte da sua vida, como todos os 3,5 milhões de uruguaios. Histórias como as contadas com entusiasmo incomum nesta entrevista de 50 minutos estão em livro editado pela L&PM, que publica suas obras no Brasil: Futebol ao Sol e à Sombra. Ali, Galeano oferece uma prova da sua obsessão. Uma placa pendurada na porta de casa em períodos de Copa advertiria: “Cerrado por fútbol”. Julguei que fosse lenda. Duvidei.
– Vai lá em casa para ver, então! – respondeu-me Galeano.
Desafiado, fui até a casa no bairro Malvín. E lá estava a placa. Na soleira da porta, bandeiras do Uruguai e do Nacional, time do coração.
Confira, nesta entrevista, o que significa o futebol para os uruguaios, hoje orgulhosos representantes da América do Sul na Copa da África.

Zero Hora – Como explicar esta celebração tão grandiosa dos uruguaios?

Eduardo Galeano – Parece um pouco inexplicável para um país como o Brasil, mais treinado do que nós nesta difícil arte que é ganhar uma Copa do Mundo. Nós temos a de 1930 e o Maracanazo, em 1950. Vocês têm algumas mais (risos). Mas para nós é uma façanha ficar entre os quatro melhores. Chegamos às semifinais em 1954 e 1970. Depois disso, nunca mais.

ZH – O importante nem é tanto ganhar ou perder, a esta altura?

Gaelano – Isso. Claro que é melhor ganhar do que perder. É melhor ser um jovem são do que um velho doente. Sou ruim de datas, mas houve um Mundial Sub-20 (em 1997) em que as pessoas também saíram às ruas e fomos vice. Houve um período longo e triste no qual o futebol uruguaio misturou coragem e violência. A garra charrua foi reduzida a pancadas. Na final de 1950, o Brasil cometeu o dobro de faltas do Uruguai. Foi depois que começamos a nos sujar, entrando nesta história de que ser valente é ser bruto. Por isso a importância desta seleção: ela promove o nosso reencontro com o bom futebol, sem violência e com humildade de espírito.

ZH – Há uma conexão desta celebração com o bom momento político e econômico vivido pelo país?

Galeano – Pode ser. A vitória da Frente Ampla, há alguns anos, abriu perspectivas de mudanças. Mas a verdade é que o nosso país é futebolizado. Os nenês nascem gritando gol. Por isso nossas maternidades são tão barulhentas.

ZH – O que é o futebol para um uruguaio?

Galeano – É uma religião nacional. A única que não tem ateu. Somos poucos: 3,5 milhões. É menos gente do que um bairro de São Paulo. É um país minúsculo. Mas todos futebolizados. Temos um dever de gratidão com o futebol. O Uruguai foi colocado no mapa mundial a partir do bicampeonato olímpico de 1924 e 1928, pelo futebol. Ninguém nos conhecia.

ZH – Houve uma falsa ilusão de que nada podia ser melhor do que o Uruguai, seguida de depressão depois, a partir das tantas vitórias no começo do século passado?

Galeano – Não. No mundo guiado pelas leis do lucro, onde o melhor é quem ganha mais, eu quero ser o pior. Não poderíamos sequer cometer o desagradável pecado da arrogância. Seria ridículo para um país pequeno como o nosso. Não somos importantes, o que é bom. Neste mundo de compra e venda, se você é muito importante vira mercadoria. Está bom assim."

Reportagem: Diogo Olivier
Fotos: Nauro Júnior
Leia a íntegra da entrevista aqui.

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