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25/09/2009

Claudio Willer fala da Geração Beat em entrevista à Folha de Londrina

Por L&PM Editores

No dia 23 de setembro, a Folha de Londrina publicou uma entrevista com o poeta, ensaísta e tradutor Claudio Willer, autor do título Geração Beat, volume da Série Encyclopaedia da Coleção L&PM POCKET. Convidado para dar uma palestra sobre a Geração Beat dentro da programação do Festival Literário de Londrina, o Londrix 2009 – evento que ocorre de 20 a 27 de setembro na cidade paranaense – na noite do dia 23, Claudio Willer também ministrou uma oficina na cidade. A atividade, intitulada “Geração Beat: Literatura e Místicas da Transgressão” foi realizada na Universidade Estadual do Paraná nos dias 24 e 25 de setembro.

Folha de Londrina – 23/09/2009
Linhagem dos transgressores

A geração beat volta e meia dá as caras, movimentando o mercado editorial brasileiro com novos lançamentos. Nesta temporada, mais uma fornada de títulos chegou às prateleiras – um deles, intitulado ''Geração Beat'', traz uma introdução ao mítico movimento literário-comportamental que sacudiu as letras norte-americanas na década de 50 e foi precursor da rebeldia mundial dos anos 60.

O autor do livro, o paulistano Claudio Willer, é um dos convidados do Londrix. Ele faz uma palestra hoje, às 21h, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis e ministra uma oficina amanhã e sexta-feira no campus da UEL. O tema das duas atividades não poderia ser outro que não as obras, as ideias e a trajetória de Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs e companhia.

Willer é poeta, ensaíasta e tradutor. Seus vínculos são, principalmente, com a criação literária mais rebelde e transgressiva. É autor de vários livros, além de ter organizado, traduzido e assinado ensaios para volumes dedicados a Lautréamont, Allen Ginsberg e Antonin Artaud.

Foi presidente da União Brasileira de Escritores (UBE) por vários mandatos e trabalhou como coordenador na área de formação cultural na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Atualmente, co-edita, com Floriano Martins, a revista digital agulha (www.revista.agulha.nom.br).

O que permanece atual e o que envelheceu no legado da geração beat?

Ao falar em beat, estamos falando de literatura. E a literatura de qualidade não envelhece. Sempre pode ser lida e relida. A contribuição literária de Ginsberg, Kerouac, Burroughs, etc, é definitiva. A prova da atualidade da beat: as reedições no mundo todo, e o crescimento da bibliografia, da ensaística, crítica literária, das biografias e das antologias e coletâneas. Este meu curso na UEL será, portanto, mais uma evidência desse crescimento, assim como meu recente ''Geração Beat'' pela L&PM.

A geração beat exerce um grande fascínio sobre os jovens brasileiros. Esse é um fenômeno localizado ou algo que ocorre também em outras partes do mundo?

É mundial. Na verdade, chegou atrasado no Brasil: a quantidade de edições a partir de 1983, pela Brasiliense e L&PM, e agora com as reedições e novas edições da L&PM, e aquelas da Azougue, repetiu o que vinha ocorrendo em outras partes do mundo desde a década de 1960. E que continua acontecendo.

Uma parte da crítica sempre preferiu ver a beat mais como uma expressão de comportamento do que como um movimento literário. Como você vê essa concepção?

Sempre repito que Francis Ford Coppola e Bob Dylan não são bobos. Ambos, criadores notáveis em seus respectivos campos. Coppola e Dylan estão entre os que declaram que a leitura de ''On the Road'' de Kerouac modificou suas vidas. A dificuldade de alguns críticos é com o modo como os beats romperam com a separação entre literatura e vida, escrevendo sobre suas próprias experiências e ao mesmo tempo projetando suas próprias leituras na realidade. E com sua projeção rápida na história, na diacronia, através de movimentos sociais: beatniks, rebeliões juvenis e contracultura. Isso incomoda a formalistas, a defensores de poéticas mais cerebrais, e obviamente aos tradicionalistas.

Que contribuição seu novo livro, 'Geração Beat', traz para esse debate?

''Geração Beat''é uma continuação do que vinha fazendo, através de traduções (''Uivo e outros poemas'' de Allen Ginsberg, L&PM Pocket) e ensaios. E um começo: escrevi um ensaio extenso, ''Geração Beat e místicas da transgressão'', como trabalho do meu pós-doutorado, e pretendo avançar nessa trilha. Tratarei disso aqui em Londrina. Acho que ofereço chaves para a melhor leitura dos beats. Uma delas, ao relacioná-los aos anarquismos místicos medievais, a exemplo da Fraternidade do Espírito Livre; e ao gnosticismo licencioso. Outra, ao relacionar os beats a outros autores, por exemplo, ao mostrar como Kerouac faz ''desleituras'' de Dostoiévski e de Louis-Férdinand Céline, ao mesmo tempo absorvendo-os e invertendo-os. Ou ao mostrar o intertexto Ginsberg-Kerouac, a relação literária e não só pessoal. Mas minha principal contribuição, é evidente, é trazer informação: relatar quem foram os beats, como foram suas vidas, o que caracteriza suas obras.

As editoras brasileiras já traduziram tudo dos beats ou há obras imprescindíveis que ainda não foram publicadas por aqui?

2008 e 2009 foram anos bons para a difusão da beat no Brasil, com a publicação de ''On the Road - O manuscrito original'' e ''Visões de Cody'' de Kerouac pela L&PM. ''Visões de Cody'' é a obra máxima, mais complexa, de Kerouac. Falarei a respeito nessa minha estada em Londrina. ''On the Road - O manuscrito original'' vem precedido por quatro ensaios sobre Kerouac, de excelente qualidade. É um belo trabalho editorial. Já recomendei a tradução da coletânea de ensaios e palestras de Ginsberg, ''Allen Verbatim''. Gostaria que fosse traduzida a boa coletânea ''Women of the Beat Generation'' (Mulheres da Geração Beat), organizada por Brenda Knight. E o ''The beat book'', organizado pro Anne Waldman. Há muito mais... Gregory Corso, Michael McClure, Gary Snyder, já temos boas edições deles (Corso pela L&PM, McClure e Snyder pela Azougue), mas são autores com obras extensas, complexas. McClure tem vinte títulos publicados, por exemplo. É preciso também traduzir o ''William Burroughs pós-1980 - Cities of the Red Night'', entre outros.

Além da literatura beat, você também escreveu artigos sobre o surrealismo. Que ligaçao você vê entre as duas correntes? É possível afirmar que são as duas linhas poéticas/estéticas que mais influenciaram a sua poesia?

Sim, são as duas linhas poéticas/estéticas que mais influenciaram minha poesia, com as quais dialogo. Modos, a meu ver, de prosseguimento e atualização da rebelião romântica. Expressões do inconformismo e da busca da expansão da consciência. Representam o ataque à lógica do discurso, ao pensamento cartesiano, ao academicismo, aos conservadorismos, inclusive àqueles que se apresentam como sendo de esquerda. Estou preparando um livro sobre surrealismo para a mesma coleção Encyclopaedia da L&PM na qual saiu Geração Beat. O poeta Roberto Piva caracteriza seu livro de estréia, ''Paranóia'', de 1963, como ''beat-surreal''. No curso que darei na UEL, mostrarei como é seu diálogo criativo com a beat e ao mesmo tempo com surrealismo.

A beat ainda inspira novos autores brasileiros?

Aqui em Londrina você tem um poeta, tradutor e ensaísta importante, Rodrigo Garcia Lopes, especialista em Burroughs e autor de livro de entrevistas com autores beat. Há outros autores de Londrina ligados à extinta revista Medusa e à atual Coyote. A lista de autores brasileiros contemporâneos nos quais há relação com a beat é extensa. Joca Reiners Terrón, Ademir Assunção, Alberto Pucheu, Guilherme Zarvos, Ronaldo Bressane. Tantos outros.... Autores das gerações de 1990 e 2000: isso é bom, sinal de vitalidade.

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