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A CARTEIRA DE MEU TIO

Joaquim Manuel de Macedo
Prefácio e notas de Fabio Bortolazzo Pinto

Coleção L&PM Pocket
Ref. 240
160 páginas
ISBN 978.85.254.1128-0

R$ 18,90



A LUNETA MÁGICA

Joaquim Manuel de Macedo

Coleção L&PM Pocket
Ref. 241
216 páginas
ISBN 978.85.254.1136-5

R$ 17,90



A MORENINHA

Joaquim Manuel de Macedo

Coleção L&PM Pocket
Ref. 61
176 páginas
ISBN 978.85.254.0654-5

R$ 14,90

Joaquim Manuel de Macedo

Joaquim Manuel de Macedo nasceu em Itaboraí, província do Rio de Janeiro, em 1820. Membro de uma família humilde, passou a infância na pequena vila descrita carinhosamente em O rio do quarto, romance que publicou em 1869.

Dois anos depois de seu nascimento, é proclamada a Independência do Brasil, que trouxe a reboque diversas crises políticas protagonizadas por Dom Pedro I, pelas regências Tríplice e Una e seus respectivos opositores. Os dois períodos regenciais e o Segundo Reinado abrangem praticamente toda a vida de Macedo, que morreu sete anos antes da Proclamação da República.

Formado em medicina, em 1844, pela faculdade do Rio, Macedo publicou, no mesmo ano, seu primeiro romance, A moreninha, obra que, por assim dizer, inaugura o romance nacional. O sucesso imediato alcançado pela ingênua história de Carolina e seus enredos de amor impulsiona seu autor a dedicar-se profissionalmente à literatura, deixando de lado o exercício da medicina.

O Rio de Janeiro que viu surgir A moreninha era, então, capital do Império, e prosperava graças, principalmente, aos esforços e ao gênio comercial do Visconde de Mauá e à mediação entre liberais e conservadores protagonizada por Dom Pedro II. Uma nova classe, formada por investidores, comerciantes, industriais e suas famílias, surge com a expansão econômica e assume o centro das decisões no jogo político antes destinado à aristocracia monárquica. Trata-se da burguesia fluminense, retratada em quase todos os romances de Macedo.

Em dia com as demandas políticas, sociais e culturais de seu tempo, Macedo militou politicamente, como deputado, filiado ao Partido Liberal, e como articulista do jornal A Nação, do mesmo partido. Foi ainda professor de Geografia e História do Brasil no Colégio Pedro II e membro bastante ativo do Instituto Histórico e Geográfico, ao qual se filiou em 1845.

No Instituto, que contava com o apoio financeiro, material e técnico do imperador, Macedo exerceu consecutivamente os cargos de primeiro-secretário, orador oficial e presidente interino. Ligado à família real, Macedo foi, também, tutor dos filhos da princesa Isabel.

Optou pelo liberalismo moderado, sem demonstrar o radicalismo de seus pares com relação às demandas políticas mais urgentes: os laços de amizade que mantinha com a família imperial e os cargos assumidos tanto no Instituto Histórico e Geográfico quanto no Colégio Pedro II – foi nomeado professor pelo próprio imperador – provavelmente o levaram a assumir uma postura neutra diante das campanhas abolicionista e republicana.

Em 1849, Macedo funda, junto com Gonçalves Dias e Araújo Porto-Alegre, a revista Guanabara, onde publica a maior parte de seu extenso poema “A Nebulosa”. Em uma solenidade palaciana, a primeira edição da Guanabara foi entregue, em mãos, ao imperador.

Pode-se dizer que a caracterização e o destino que Macedo imprime a seus personagens confirma a boa índole que lhe atribuem os biógrafos e o testemunho de seus contemporâneos: as atitudes destes personagens são sempre compreensíveis, por piores que sejam, através do contexto, da situação em que vivem. No universo dos romances do autor, o mal jamais é atávico, é antes uma estratégia de sobrevivência ou um equívoco de natureza moral. Para todos, há, sempre, uma possibilidade de redenção. No dizer de Antonio Candido, “Se já houve quem dissesse que o mal é necessário, para Macedo ele é apenas passageiro. (...) em sua obra tudo se resolve, explica e perdoa. (...) A maldade é provisória, o bem, definitivo: eis a moral de seus livros” (CANDIDO, Antonio. “O honrado e facundo Joaquim Manoel de Macedo”. In.: Formação da Literatura Brasileira – Vol. 2. Rio de Janeiro: Itatiaia, 1997. p. 127.) .

Após a publicação, em 1855, de O forasteiro, Macedo pára, subitamente, de escrever e publicar romances. Fica, a partir daí, dez anos apresentando ao público apenas contos esparsos e textos teatrais. Nunca foram explicadas pelo autor as razões para o abandono, por tão longo período, do métier que o consagrou. Uma das hipóteses mais interessantes é a de que ele teria optado por abandonar a forma romanesca com o aparecimento de José de Alencar, escritor com recursos estilísticos, formais e criativos notadamente maiores que os seus e que logo caiu nas graças do público leitor. Alencar, com efeito, reinou absoluto como grande romancista brasileiro até 1880, ano em que Machado de Assis publicou Memórias póstumas de Brás Cubas e colocou, literalmente, a literatura brasileira de pernas pro ar.

Os romances de Macedo, ainda que agradassem ao público, nunca obtiveram grande respeitabilidade junto aos intelectuais e homens de letras de seu tempo. O caráter de entretenimento e o derramamento sentimental presentes nesses romances, onde não há espaço para grandes reflexões ou questionamentos, teria levado a crítica a reconhecer-lhes apenas a qualidade documental de crônica de costumes. De fato, com simplicidade de estilo e de linguagem – a coloquialidade é uma de suas marcas – e grande fôlego narrativo (escreveu, ao todo, vinte romances), a obra de Macedo é um dos mais ricos panoramas da vida urbana carioca da segunda metade do século XIX. Lá encontramos a vida familiar e a vida social das ruas, os espetáculos teatrais, os disputados saraus, a atmosfera cultural da célebre Rua do Ouvidor.

 Os folhetins de Macedo foram de vital importância para o estabelecimento, no Brasil, da forma romanesca, importada da Europa. O que parece distanciar o autor dos demais escritores românticos de sua época é seu categórico alheamento com relação ao projeto de “nacionalização” da literatura brasileira, característico da, hoje chamada, primeira geração romântica.

O enaltecimento da natureza nacional, o indianismo e a idealização da ancestralidade, recursos utilizados pelos românticos brasileiros para demarcar as diferenças e a então recém-conquistada autonomia com relação à metrópole portuguesa, passam ao largo da obra de Macedo.

No momento em que a afirmação da identidade nacional é praticamente uma obrigação da intelectualidade, Joaquim Manoel de Macedo, como escritor, coloca-se à parte, ambicionando apenas satisfazer uma demanda popular. Seu diálogo era, efetivamente, com o leitor.

Macedo passou os últimos anos de sua vida lutando contra a degeneração mental, problema que acabou por vencê-lo no dia 12 de abril de 1882. Tinha 62 anos.

Por: Fabio Bortolazzo Pinto (nota biográfica em A carteira de meu tio, L&PM Pocket, 2008)

Opinião do Leitor

"suas obras foram e estão sendo muito importante para todos os alunos"

juliana
bonito de santa fe  pb

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